Tive um amigo que ia sempre comigo a Bacana tomar sorvete.
A gente sempre tomava dois sorvetes de duas bolas, sempre de sabores diferentes, pra um poder roubar um pouquinho do do outro e assim experimentar os milhoes de sabores que a Bacana oferecia.
Dos milhoes de sabores eu experimentei todos ou quase todos:
Creme do Ceu - que era de um azul 'cheguei' tao aceso que so vendo.
Pitomba - Ca pra nos, tinha gosto era de caroco, pois acho que passavam no liquidificador a pitomba com caroco... bem nao e pra menos porque imagina o papel de corno ficar separando a 'carne' da pitomba do caroco.
Tapioca - odiei esse, nao sei nem descrever o gosto.
E muitos outros sabores... dos mais 'normais' eu tinha como favoritos pitanga e tangerina.
Depois do trabalho na sexta-feira eu e meu amigo iamos pela orla de Olinda devagarinho ate chegar na Bacana. Era um otimo passeio, pois tinha aquele cheirinho de mar entrando suavemente narina adentro e coisa e tal.
Meu amigo, as vezes, ate pagava sorvete pra mim. E era ja tardinha quando a gente se deliciava nos sorvetes e no que um tinha pra contar ao outro.
Muitas vezes, por entre tantos sorvetes, encontrava-nos quase em transe, mudos, admirando e analisando um ao outro. E foi num desses silencios que eu percebi que ele gostava de mim... (e o pior) e eu dele! Vale destacar, eramos apenas amigos, pois eu tinha 'o gaizo' e ele um 'tico-tico-no-fuba' como ele mesmo dizia.
Naquele dia mesmo ele me convidou pra comer macaxeira frita na casa dele. E eu fui. Mas quando estavamos la, juntos, deitados naquela esteira pra assistir um filme, com a bacia de macaxeira frita entre nos, bate na porta uma galera e nos convida pra ir tomar uma. E eu topei na hora, afinal eu era muito covarde e isso era a otima desculpa que eu precisava pra fugir dali o mais depressa... antes de enfeitar a cabeca do 'gaizo' com um par de chifres!
Meu amigo chateou-se (pudera), mas continuou meu amigo. Tempos depois a 'tico-tico-no-fuba' veio morar com ele e, aos poucos ele, acho que por causa dela, afastou-se de mim e de todas as outras pessoas que conheciamos.
Lembro com saudade de ve-lo na janela com o radio de pilha grudado no ouvido durante as partidas de futebol; do cheiro da macaxeira frita, sua especialidade; e principalmente da brisa do mar e do sabor do sorvete naquelas visitas a Bacana.
Hoje em dia nao sei o que e feito dele, nao sei pra onde se mudou, o numero de seu telefone, ou ate, acreditem seu sobrenome.
So sei que quando ouco 'Chao de Giz' me vem tao nitida a memoria: o sabor de sorvete favorito dele era 'zebrata'!